quarta-feira, 8 de junho de 2011

O Mercador de Prazeres_Tomo II

II
  
    Pessoas de coração puro, (coisa rara) que emanavam amor e sentimentos holísticos ao próximo, sempre mantinham uma barreira impedindo Danubios de penetrar em suas almas. Ele chegou a observar por alguns anos, a certa distância física e astral é verdade, a vida de Madre Teresa de Calcutá e do advogado revolucionário Gandhi. Mas sem um debate e sem uma convivência diária mais próxima seria impossível para Danubios entender a alma daqueles que foram considerados pela grande maioria como santos. Esses eram com certeza os seres mais difíceis de barganhar, apenas os seus superiores conseguiam encontrar brechas para algumas tentativas de barganha. Não o permitindo conhecer, portanto, o real sentido da palavra amor para aqueles humanos cada vez mais escassos.
   
   Matutava em sua cabeça aquela ideia de que ninguém é cem por cento, mas então como essas boas pessoas conseguiam ter tanta força bondosa a ponto de não conseguir aproximar-se delas? Em suas outras viagens pelo tempo e pelo mundo não deixou passar nenhuma biblioteca despercebida. Leu papiros, códex, bíblias, etc... Lia todas as obras que falavam sobre a condição da alma humana. Devorou Platões, Dantes, Goethes, Schopenhauers, Nietzsches, Freuds, etc...       Sempre buscou discussões em pubs e cafés com os seres filosóficos e poéticos para poder entender a contradição humana e a razão de Deus sacrificar um filho legítimo para perdoar esses sacos de ossos tão pecadores, mesquinhos, complicados e aparentemente ridículos. Mas essas pessoas ainda que boas e cultas, não apresentavam um campo áureo poderoso e por isso ele sabia que aquelas não eram as pessoas certas para se encontrar o amor de Deus. Pois elas se demonstravam intelectuais demais e ao mesmo tempo vulneráveis demais. Para Danubios já estava certo que não era a convicção de certos ensaios e livros propostos pela razão dos homens de artes e de ciências que os tornavam humanos e filhos de Deus conhecedores do verdadeiro amor. Pois falavam e explicavam muito bem sobre o assunto e suas contradições, mas praticavam a desordem do relacionamento humano, visto que estes “gênios” possuíam em sua grande maioria uma vida amorosa e social de conflitos perenes. Para Danubios o verdadeiro embaixador do amor seria capaz de fazer qualquer soldado abaixar o seu fuzil e chorar. E quanto mais ele estudava as contradições humanas, mas irritado ficava.
      
   Para ele, a coisa estava ficando clara. O amor não passava de um substantivo masculino, apenas mais uma das classificações humanas para a tentativa de se compreender o incompreensível. Um simbolismo criado pela alma para ligar como fios invisíveis Deus e a existência dos seres terrenos. Horas, os que dizem sentir paixão e misericórdia contestam que a razão e a disciplina nesse assunto apenas tornam os humanos mais tiranos e insensíveis. Os que cultivam o amor dizem que nem regrar demais e nem amar demais, apenas deve-se buscar o caminho do meio, o equilíbrio. Mas como medir aquilo que eles próprios dizem não fazer par com a lógica matemática e física? Qual seria a justa-medida para tal sensação abstrata? Isso vinha se tornando uma busca dolorosa para todas essas criaturas. Ninguém consegue distinguir a quantidade de amor adequada para com seu próximo. Alguns amam tanto a si mesmos que acabam por dispensar sentimentos alheios, outros apenas acham que amam o seu próximo, mas também não passam de seres egoístas buscando um conforto próprio – Em nome do amor eterno contabilizei milhares de almas que já barganharam comigo – pensou o pobre demônio frustrado – Até o criador já sacrificou o seu próprio filho para provar que ama a todos. Aliás, o seu próprio filho não foi capaz de impedir com o seu amor o ódio alheio.
   
   O anjo de luz tornou-se o anjo das trevas e Cristo tornou-se cordeiro de sacrifício por causa desses sacos de ossos, e ainda assim eles não eram capazes de corresponder às expectativas.
Sacrifício parecia ser uma palavra chave, viver em prol dos outros. Doar-se e esquecer-se de suas vontades e ambições próprias. Seria possível algo assim para um ser como Danubios que busca resultados ambiciosos e experimentais não importando os meios?

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